DataSenado: 92% dos bolsistas aprovam Ciência sem Fronteiras

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A pedido da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o DataSenado fez uma pesquisa com bolsistas e ex-beneficiários do Programa Ciência sem Fronteiras para verificar suas impressões e os ganhos que tiveram ao participar do projeto. Foram entrevistados mais de 14 mil estudantes, e a maioria o avaliou positivamente. Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (20) por Marcos Oliveira, diretor do DataSenado, em reunião da comissão.

Do total de entrevistados, 92% declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o Ciência sem Fronteiras. Para 85%, a experiência de estudar no exterior foi ótima. Outros 12% avaliaram a experiência como boa. Nenhum entrevistado falou que o programa é ruim ou péssimo. Dos participantes da pesquisa, 68% afirmaram ter tido a oportunidade de repassar o conhecimento obtido no exterior a colegas e professores; 25% disseram que não tiveram essa chance.

Política pública

A pesquisa será usada como fonte de informações pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) na elaboração do seu relatório com a avaliação do programa. Essa foi a política pública escolhida pela CCT para análise no corrente ano. Omar Aziz fará um balanço sobre o Ciência sem Fronteiras e avaliará se os resultados compensam o investimento que o projeto tem representado para o Estado brasileiro, de mais de R$ 9,5 bilhões desde sua criação, em 2011, conforme gestores revelaram durante audiência pública em setembro.

Omar tem se mostrado bastante crítico ao programa. Em sua opinião, o alto custo bancado pelos cidadãos brasileiros para manter um estudante no exterior não tem gerado dividendos para o conhecimento científico nem os resultados necessários para a economia brasileira. Do que se pode perceber, diz o parlamentar, o enriquecimento é pessoal, e isso é muito pouco para justificar o gasto.

— É um dos maiores programas educacionais que o Brasil já teve, mas é preciso verificar o retorno para o país — insistiu.

Segundo o senador, apesar de esclarecedora, a pesquisa do DataSenado não deixa claro se o conhecimento foi compartilhado apenas “numa mesa de bar” ou de forma técnico-científica, o que realmente importa para a sociedade. Quanto à experiência pessoal, ele não duvida que seja extremamente enriquecedora.

O senador Helio José (PSD-DF), que presidiu a reunião, reforçou a opinião de Omar ao revelar que sua filha, que está fazendo graduação-sanduíche em Medicina, terá pouco aproveitamento de matérias para concluir seu curso quando retornar, correndo o risco de precisar repetir dois semestres. Ela quis participar do programa, no entanto, pelo enriquecimento pessoal e experiência obtidos no exterior.

CNPq e Capes

Estiveram presentes na apresentação dos resultados da pesquisa os representantes das duas entidades coordenadoras do programa. Adi Balbinot, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), concordou que a política pública precisa ser aprimorada e avaliada, principalmente sobre a questão da absorção dos egressos no Brasil.

Mas salientou que conclusões imediatas podem ser prematuras, em função da magnitude do programa e do curto tempo, até agora, de amadurecimento do conhecimento que os alunos obtiveram lá fora. Ele salientou como positiva a alta inserção dos bolsistas de graduação sanduíche na pós-graduação, ao retornar ao Brasil. O número é três vezes maior entre os egressos do Ciência Sem Fronteiras, por exemplo.

— É necessário um tempo de amadurecimento desses dados e informações para tomar decisões de aprimoramento do programa — ressaltou.

Lucilene Barros, representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), disse já ser perceptível o aumento de parcerias para pesquisa científica entre universidades brasileiras e instituições estrangeiras por causa do programa, inclusive com a presença de estrangeiros no país.

Avaliações

O senador Lasier Martins (PDT-RS) questionou aos gestores sobre a avaliação feita no retorno dos estudantes e ambos informaram que esse detalhamento e mensuração sobre o nível de conhecimento obtido é de responsabilidade das universidades às quais os candidatos estão ligados.

— O CNPq analisa e emite parecer, mas não entramos na questão do mérito científico, do que o estudante trouxe para o país quando retorna. Quem faz isso é a universidade de origem — disse Lucilene.

A gestora afirmou que esse é um dos aprimoramentos que já perceberam ser necessários, mais detalhamento sobre o retorno, detectado pela universidade de origem, mas também da entidade do exterior, de avaliação dos estudantes. Um trabalho mais intensivo de trocas dessas informações deve ser feito, ponderou.

Adi Balbinot lembrou ainda que não é função da Capes avaliar o aluno, e que isso está dentro da autonomia das universidades. Mas salientou que a entidade faz a avaliação de aproveitamento de disciplina a disciplina, e que 78% do conteúdo visto lá fora tem sido utilizado nas universidades brasileiras, por créditos obrigatórios ou optativos.

Outro ponto que chamou a atenção de Lasier e Omar foi o número de estudantes que pretendem seguir carreira no exterior depois de beneficiados com o Ciência sem Fronteiras: a pesquisa mostrou que 24% querem prosseguir em países estrangeiros. Outros 53% afirmaram que preferem seguir carreira profissional no Brasil.

O gestor da Capes afirmou que todos os bolsistas, tanto do Ciência sem Fronteiras quanto de outros programas de intercâmbio, são obrigados por contrato a permanecer no país pelo mesmo tempo do curso que fez. E quando isso não ocorre, ele é obrigado a estornar ao país todo o custo com sua permanência.

— Temos 199 bolsistas que solicitaram a suspensão do período de interstício. São R$ 1,7 milhões de devolução de recursos, isso é importante frisar — disse Balbinot.

Requerimentos

Após a apresentação da pesquisa, foram aprovados dois requerimentos: um aditamento para convidar o médico Drauzio Varella a falar sobre a fosfoetanolamina, a droga que supostamente cura o câncer e que deve ocorrer na próxima semana; e outro para a realização de audiência pública que debaterá o desligamento do sinal de TV analógico para o digital.

Fonte: Agência Senado

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