Hélio José: de petista a aliado de Temer

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Ex-suplente de Rodrigo Rollemberg é fundador de três partidos e pretende se reeleger pelo PMDB

Por Orlando Pontes

O senador Hélio José (PMDB-DF) iniciou sua militância política ainda como estudante de Engenharia Elétrica da UnB, em 1978. Em 1983, participou da fundação do PT. Durante 30 anos, atuou na organização da militância petista. Em 2010,  foi chamado pelo então presidente Lula para apoiar Agnelo, numa coligação com Rodrigo Rollemberg (PSB). Em troca, haveria disputa interna no PT para escolha do suplente. Hélio venceu.

Diz que percebeu  falcatruas nos Correios quando ocupou cargo na estatal e que avisou à direção do PT. “Como não fizeram nada para conter, decidi sair do partido”. Foi convidado por Gilberto Kassab e Rogério Rosso para criar o PSD,  aliado do PSB para apoiar Rollemberg ao Buriti. Com a vitória, Hélio assumiu o mandato. Pouco tempo depois desentendeu-se com o governador.

Ele participou do que chama de “sonho de verão”, filiando-se ao Partido da Mulher Brasileira (PMB). Saiu um mês depois, junto com outros 23 deputados federais. Foi para o  PMDB: “Os senadores Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR), e o presidente Michel Temer me convidaram para ser o 18º nome do PMDB no Senado. Em troca, me prometeram legenda para disputar a reeleição em 2018”.


Hélio José diz que quem deve é Rollemberg, que só foi eleito com apoio dele e de Lula

Reformas

Integro a ala do PMDB contrária às reformas trabalhista e da Previdência, assim como os senadores Renan, Eduardo Braga (AM) e Kátia Abreu (TO). Na questão da Previdência, nós integramos a parte majoritária. Porém, sobre a reforma trabalhista, somos minoria. Mas não temo desgaste com o presidente por não defender as reformas. O grande objetivo da proposta é privatizar, acabar com a previdência pública e obrigar o trabalhador a correr para os bancos e encher os banqueiros de dinheiro. Tudo isso sem cobrar os grandes devedores, como os próprios bancos, o frigorífico JBS, dentre outros.

Filippelli

O PMDB tinha candidatura natural ao Buriti,  o ex-deputado Tadeu Filippelli. Ele vinha numa trajetória para ser o nome do partido para o governo, assim como eu para senador. Juntos, faríamos a chapa para eleger nossos deputados distritais e federais. Com o imprevisto desta prisão dele, ainda não decidimos o futuro do partido. Filippelli está descansando, mas o partido não vai se separar.

Aliança de direita

O PMDB é o partido mais importante da cena eleitoral. Poderemos lançar um candidato próprio – deputado Wellington Luiz ou eu – ou apoiar um nome de outro partido. Aliança, ela poderia ser com os deputados Izalci Lucas (PSDB) ou Alberto Fraga (DEM), ou o ex-deputado Alírio Neto (PTB). Agnelo só ganhou porque tinha o PMDB como vice.

Rollemberg

A aliança com Rollemberg é muito improvável, mas não impossível. Não defendo Rollemberg. Não devo nada a ele. Ele que me deve porque só chegou a ser senador porque teve o apoio do Lula e meu dentro do PT. Quando ele assumiu o governo, teve que renunciar ao mandato. Se ele sofrer impeachment hoje, eu continuo no Senado e ele fica sem mandato. Eu sou o senador titular. Hoje, como coordenador da bancada do DF no Senado, estou tentando uma conversa com o governador. Ele tem dialogado muito pouco com a bancada. Com o ministro da Integração Nacional teve a ideia de pegar a água do Lago Paraná – o que nunca foi discutido. R$ 54 milhões, que poderiam estar sendo aplicados para recuperar nossos mananciais, mas está sendo investido em uma obra faraônica.

Candidato de seis votos

Não fui candidato em 2014, apesar de o meu nome ter aparecido na urna eletrônica do TSE. A convenção do PSD aconteceu antes da convenção do PSB. Então, como não tínhamos certeza de que nos coligaríamos com o Rollemberg, lancei minha candidatura a distrital para garantir, caso a aliança com o PSB não acontecesse. Como ela se confirmou, registrei a candidatura, mas nunca trabalhei para ser eleito.

Outsiders

Várias apostas surgirão nos próximos meses, como o Cléber Pires, da ACDF, e o Ibaneis Rocha, ex-OAB. Para mim, o nome de mais peso é do Godin (PPL), de Ceilândia. Ele será o nome que vai decidir a eleição no DF no segundo turno de 2018. Ele é das bases, do movimento sindical, morador do Sol Nascente, humilde. Não tenho dúvida de que ele vai fechar o processo eleitoral com pelo menos 5%.

Reguffe e Cristovam

Se Reguffe for candidato, ganha. Eu tenho orgulho de ser amigo dele. Reguffe é um defensor de Brasília. Cristovam deveria ser candidato a presidente da República. A atual conjuntura do país é favorável para um nome como Cristovam.

Chapa Dilma-Temer

A crise institucional não vai ser superada no TSE, independentemente do resultado. Com Temer, ou sem Temer, a crise política e econômica continuará e teremos que trabalhar para vencê-la.

Diretas ou indiretas

Bons ou ruins, os deputados e senadores foram eleitos pelo povo. A Constituição prevê eleição indireta, mas não sou contra a aprovação de uma PEC para eleição direta.

Fonte: BSB Capital

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