Audiência aponta crise hídrica grave no DF e participantes elogiam população

0
51

A Comissão Senado do Futuro promoveu, nesta segunda-feira (11), uma audiência pública sobre a crise hídrica no Distrito Federal – onde a população enfrenta o racionamento de um dia sem água por semana desde o início do ano. Os participantes da audiência pública apontaram que a crise hídrica no DF é de fato grave, mas elogiaram o envolvimento da população diante do problema.

Na visão do diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Distribuição e Purificação de Água e em Serviços de Esgotos no Distrito Federal (Sindágua), Henrique Mendonça de Faria, é importante que toda a sociedade se envolva na busca de soluções para a crise hídrica. Ele criticou a histórica falta de investimentos nos sistemas de abastecimento, elogiou a compreensão da população do DF e disse que ainda não é possível descartar um segundo dia de racionamento por semana em 2018.

– A educação da população na contribuição para a economia de água no Distrito Federal merece ser destacada – ressaltou.

O presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), Paulo Sérgio Bretas de Almeida Salles, elogiou a mobilização da população do Distrito Federal para a economia de água. Segundo Salles, houve uma redução de 10% na média de consumo de água por unidade ao longo do ano de 2017. Ele acrescentou que a situação local deve melhorar, já que há duas novas obras de captação e outra de ligação que estão sendo integradas ao sistema de abastecimento do DF.

Para o próximo ano, conforme informou o presidente da Adasa, a tendência é a média de chuvas continuar menor que a média histórica, embora seja muito difícil “ter certeza nas previsões”. Salles reconheceu que é desconfortável para a população ter de lidar com o racionamento, mas lembrou que a situação grave exige medidas de economia.

– A Adasa está acompanhando o andamento dos reservatórios e a curva da chuva. Se tudo correr bem, será possível evitar o segundo dia de racionamento – afirmou.

Foco

Na opinião do conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil da seção do Distrito Federal (OAB-DF) Og Pereira de Souza, a crise precisa ser enfrentada com foco nas soluções e não apenas nas causas do problema. Ele disse entender a crise como grave, mas criticou a abordagem “extremamente pessimista” das autoridades diante do problema. Segundo Og de Souza, um chefe de Executivo não pode ser pessimista, mas deve trabalhar para buscar soluções. Ele registrou que pesquisas apontam que alguns aquíferos subterrâneos têm capacidade de abastecer o planeta inteiro, por até dois séculos. Para o conselheiro, o foco no problema está virando desculpa para políticas públicas equivocadas.

– É uma questão de engenharia. Precisamos parar de focar nos problemas e buscar mais as soluções – alertou.

Para o professor coordenador do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Henrique Ribeiro Lima, as medidas de redução de consumo de água têm sido eficientes. Se o racionamento não tivesse sido adotado, disse Lima, a situação estaria muito pior. Ele usou mapas e desenhos para mostrar que a situação climática do DF “é complexa” e acrescentou que não é possível apontar que o próximo ano será mais chuvoso ou mais seco que 2017. Individualização da medição de água e implantação de sistemas de reuso seriam, segundo o professor, medidas importantes para a preservação dos recursos hídricos no DF.

Dois dias

A realização da audiência foi uma sugestão do senador Hélio José (PMDB-DF), presidente da comissão. Para o senador, a crise hídrica traz prejuízos econômicos, sociais e para a saúde da população. Ele informou que, na região em que mora, é comum a falta de água durar até dois dias e lamentou a permanência do racionamento para o próximo ano.

– Essa crise sem tamanho afeta toda a população, mas é mais grave para a população mais pobre e da periferia – declarou o senador.

A audiência foi realizada de forma interativa, com a participação popular por meio do portal e-Cidadania. O internauta Leomir de Souza, de Brasília, reclamou do alto valor da conta de água e da pouca efetividade na gestão da crise. Sandro de Melo, também de Brasília, lembrou que o alerta da crise hídrica foi feito há mais de 15 anos. Para Sérgio Peixoto, de São Paulo, a crise hídrica pode piorar – o que vai exigir uma população mais preparada para a situação.

A Comissão Senado do Futuro foi criada em 2013 com o objetivo de promover discussões sobre grandes temas e o futuro do país. Ao contrário das demais comissões, a Comissão Senado do Futuro não tem função deliberativa – ou seja, não vota proposições – e se reúne apenas em caráter extraordinário. O trabalho inclui o debate, com a participação de entidades civis e de especialistas, sobre alternativas possíveis para melhorar as instituições brasileiras e aprimorar a atuação do próprio Senado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA