Falta de pessoal é apontada como maior problema do metrô no Distrito Federal

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Em audiência pública nesta quinta-feira (8), os problemas do metrô do Distrito Federal foram debatidos na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH). Segundo os metroviários, o principal problema enfrentado pela categoria são as condições de trabalho, causadas especialmente pela falta de pessoal. Os responsáveis pela Companhia do Metropolitano do Distrito Federal reconhecem as dificuldades, mas ressaltam a impossibilidade de superá-las no momento em razão dos limites impostos pela legislação aos gastos com a folha.

Segundo Quintino Sousa, representante do Sindicato de Trabalhadores de Transportes Metroviários do DF (SindMetrô), faltam atualmente 800 servidores para o metrô, que conta com pouco menos de mil empregados. Essa, segundo ele, é a causa do cenário “caótico” na qual a companhia se encontra e também da recente greve da categoria, que durou 74 dias.

— O grande problema hoje é a falta de empregados. Hoje pode-se dizer que falta metade do quadro, porque a gente tem 994 empregados e a gente tem uma falta acima de 800. Quem é prejudicado com isso? O empregado, que está dentro de uma estação trabalhando por dois, três, quatro, ficando absolutamente saturado, e a população, que anda num sistema metroviário completamente sem segurança — disse.

O diretor de Administração da Companhia do Metropolitano do DF, Luiz Gustavo de Andrade, afirmou que nenhum contrato de terceirizados é capaz de substituir o trabalho dos concursados e a Lei de Responsabilidade Fiscal impede o chamamento dos aprovados no último concurso realizado pela empresa, que é controlada pelo governo do Distrito Federal (GDF).

— O Tribunal Regional do Trabalho deu uma sentença para que o Metrô contrate. A Procuradoria do GDF, em conversa com o Metrô, deixou muito claro que não há como não se recorrer dessa sentença uma vez que seria aceitar o mandamento de que se descumprisse a lei. E é claro que o Metrô não pode fazer isso — explicou Andrade.

O senador Hélio José (PMDB-DF), que requereu e presidiu a audiência pública, disse que fará uma nova reunião para dar continuidade ao debate. Ele lamentou a ausência de ex-dirigentes do Metrô, da Procuradoria e da Defensoria Pública do DF. O senador afirmou ainda que tem recebido várias denúncias de outros problemas do metrô que precisam ser investigados, como a existência de estações prontas que permanecem fechadas e problemas na manutenção dos carros.

Estudantes

Representantes da Universidade de Brasília (UnB) e do UniCeub reclamaram da má qualidade de transporte público no Distrito Federal e reivindicaram a expansão do metrô para a Asa Norte, onde ficam os principais campi das duas universidades.

Segundo Sophia Luduvice, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, é preciso transparência em relação à ampliação do metrô.

— É importante que todos os estudos que tenham sido feitos de ampliação do metrô, de chegar até a Asa Norte e às demais cidades satélites, e o porquê da não realização desses projetos, sejam divulgados à sociedade. A comunidade tem que ter acesso a esses projetos e, se for realmente inviável, que isso seja demonstrado — afirmou.

Para Rafael Calixto de Souza, do DCE do UniCeub, é um absurdo não ter metrô na Asa Norte e nas demais cidades.

— É um absurdo a gente não ter o metrô aqui na Asa Norte, que é do lado da Asa Sul. Há estações já que estão empoeiradas, como o senador falou. Realmente, é um descaso isso — queixou-se.

A qualidade do serviço também foi criticada pelo representante da Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras, Luzimar Pereira. Ele reclamou da falta de conclusão das obras de estações de metrô e da falta de ar condicionado nos vagões. Também defendeu a extensão do funcionamento aos domingos até o mesmo horário dos demais dias da semana.

Integração

De acordo com os debatedores, uma das principais ações a serem tomadas para a melhoria do transporte público em Brasília e cidades vizinhas seria a integração metrô/ônibus. O que tem impedido essa integração, acrescentaram participantes da audiência pública, são os interesses dos empresários de ônibus.

Para o mestre em Ciências Políticas Carlos Penna Brescianini, responsável pelo blog Ambiente e Transporte, o sistema de transporte da capital federal deveria ser centralizado no caixa eletrônico do Metrô.

— Uma das coisas mais importantes para resolver o problema de transporte no Distrito Federal e no Brasil se chama integração metrô/ônibus. A integração só será feita se todo o sistema de transporte do Distrito Federal for centralizado em cima do caixa eletrônico do Metrô. Ele foi planejado e entregue para ser o centro da integração de todos os transportes, através de um cartão de integração — disse.

Mas, segundo Quintino, os empresários de ônibus querem essa integração.

— A partir do momento em que eu tenho integração na cidade de Brasília, em todo o Distrito Federal, eu não tenho necessidade de ter 20 linhas de ônibus trazendo da cidade para o Plano Piloto. Eu simplesmente carrego esse pessoal para o transporte de massa, que é o metrô, e o metrô leva. Os empresários lucram mais tendo essas linhas — argumentou.

Fonte: Agência Senado
Foto: Geraldo Magela

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